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O CobiT sob uma perspectiva de Controle a Serviços e Processos

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Um caso prático de utilização do CobiT para implementação de contoles, relatado pelo profissional Fábio José

O CobiT, concebido pela ISACA com o objetivo de mensurar a maturidade dos controles, bem como, para avaliações de auditoria e Governança de TI, apresenta-se também adequado como ferramenta de analise e melhoria continua de serviços e processos, fornecendo ao gestor, acostumado a uma abordagem mais operacional, uma visão ampla do ambiente e interações onde o serviço acontece, bem como do posicionamento de determinado processo dentro da dinâmica de TI, obtendo uma base sólida de “o que” e “como” realizar gestão e melhorias de controles de forma a atender mais eficiente as ações de governança geradas e geridas pela diretoria de TI da companhia.

Neste artigo é apresentado, de forma breve, um caso onde o CobiT a partir de um trabalho de avaliação de maturidade de processos realizados em determinada empresa, foram identificadas oportunidades de melhoria no processo: Instalação, Migração, Conversão e Plano de Aceite de Aplicativos e Software, (processo AI-07 ).

Para isso foi constituído um “Time de Melhoria de Qualidade”, sendo o grupo formado por analistas de desenvolvimento de várias áreas, e liderado por um gestor de serviços da área de Suporte Técnico.

Nota : Embora o uso do CobiT fosse normal para avaliação de maturidade, não fora usado até o momento, para o estabelecer e desenvolver soluções de melhoria aos controles de TI.

Objetivo do Time

O Time de Melhoria de Qualidade desenvolveu atividades e metodologia de documentação dos novos controles com o seguinte objetivo:
• Aumento de maturidade da atividade e da qualidade das entregas no processo,
• Formalizar e normatizar as atividades ligadas ao processo,
• Divulgação e implantação da metodologia desenvolvida

Metodologia de Trabalho

Foi utilizada durante todo o desenvolvimento do projeto metodologia baseada em 6 Sigmas , com as seguintes fases : Medir – Explorar – Definir - Implantar - Controlar, de forma a gerir o projeto dentro de um ciclo lógico e dentro dos conceitos de sistemas de qualidade .

Levantamento da Situação Atual

No levantamento da situação atual, não foram encontrados subsídios que nos permitiram quantificar o desempenho atual dos processos por ausência de documentação, o que evidenciou o motivo da baixa maturidade verificada durante a fase de avaliação, e nos orientamos a registrar as situações encontradas a partir de determinado momento, mas sem fornecer parâmetros numéricos, ou seja, o levantamento foi realizado de modo qualitativo.

Foram identificados os seguintes aspectos:
• Ausência de metodologia formal correlacionada à Instalação, Migração, Conversão e Aceite de Sistemas;
• Ausência de processo para gerenciamento de aderência a normas e padrões corporativos;
• Falta de indicadores de Desempenho;
• Processos de Instalação / Aprovação não estavam integrados no Ciclo de Vida do Sistema;
• Planos de Treinamento, Testes, Transição para Produção e Aprovações não eram definidos adequadamente;
• Inexistência de aplicação de testes de stress ou testes insuficientes

Com as seguintes conseqüências
• Produtos que não atendiam ao acordado ;
• Re-trabalhos aos sistemas/produtos implantados em produção ;
• Clientes Insatisfeitos ;
• Usuários incapacitados a usar ou estavam sub-utilizando novos produtos/facilidades ;
• Aumento de custo suporte técnico quando de implantação de novos produtos ;
• Falta de registros/documentações para auditorias


Analisando e Investigando

Nesta fase, passamos a explorar o processo e realizamos aprofundamento nas causas-raízes da situação atual bem como iniciando a procura do caminho a ser seguido.

Desde a primeira reunião do grupo a opção era de “não reinventar a roda”, aproveitando o máximo possível conhecimentos disponíveis no mercado , e , após as primeiras análises, foi proposto ao grupo que a base de conhecimento a ser utilizada fosse o CobiT, do qual nos utilizamos das versões 3.0 (processo AI-05) e 4.0, focando-se no processo AI-07.

O CobiT até então era uma ferramenta utilizada apenas para mensurar o grau de adequacidade de controles, passou a ser nossa base para o desenvolvimento dos controles, por meio de muita discussão do grupo entre o “mundo desejável” e o “mundo real”, que foi benéfica a todos ajudando no perfeito alinhamento dos conceitos e práticas propostas :


1. O porquê da existência do processo de avaliação de maturidade e sua contribuição para a melhoria dos processos do dia a dia
2. O processo de controle como gerador de melhoria
3. A transformação dos pontos de controle em atividades operacionais do processo
4. Clareza do processo em análise, seus objetivos e interfaces com outros processos

Construindo os Controles

O inicio desta fase se deu pela utilização direta do CobiT e seu Objetivo de Controle de Alto Nível , de forma a definir claramente as expectativas do processo ,

Foram estabelecidas então as seguintes premissas com base no processo CobiT AI-07 Instalação, Migração, Conversão e Plano de Aceite de Aplicativos e Software:

Controle sobre o processo de TI para
Instalar e Aprovar soluções e mudanças

Que satisfaça os requisitos de negócio de TI para
Garantir que os Sistemas e Infra-estrutura trabalhem sem problemas
depois de sua implantação

Focando-se em
Comprovar que as soluções estão conforme acordado e livres de erros, e planejar a liberação para produção

Que se obtém com
• Metodologia de testes, homologação e provas integradas ;
• Planejamento para promoção de novos pacotes
• Aprovação por parte da área de negócio afetada
• Revisões pós implementação

E se mede por
• % de Aplicativos fora do ar por promoção a produção ou aplicação indevida de hot-fixes
• % de Projetos documentados e com Plano de Teste aprovado
• % Erros encontrados durante revisão de garantia da qualidade das funções de instalação e aprovações


Objetivo dos Controles

“O objetivo a ser alcançado com a solução de controles é a proteção do ambiente de produção e seus serviços , através do uso formal de procedimentos e verificações periódicas (checklist)”

Definindo os Entregáveis

A partir da base conceitual acima, a continua utilização do CobiT foi fundamental , garantindo que não houvesse perda de foco na estrutura do processo, gerando uma linha mestra a ser percorrida ,de forma a :

• Estabelecer o consenso dos resultados esperados do processo
• Traduzir as experiências e idéias dos membros do grupo em uma linguagem padronizada
• Garantir compreensão do inter-relacionamento dos produtos recebidos (processos predecessores) e resultados entregues (processos recebedores)
• Garantir que todas as atividades do processo estavam cobertas
• Dirimir dúvidas se uma atividade sugerida deveria ou não fazer parte do processo em questão , ou a qual processo deveria a atividade pertencer
• Identificar e Definir estrutura de responsabilidade ( RACI )
• Definir Fatores Críticos de Sucesso
• Definição de métricas de acompanhamento e objetivos (KPI e KGI )
• Documentação a ser gerada e evidencia à auditorias
• Recursos de TI a serem envolvidos no processo de geração do documento
• Definir claramente escopo e expectativas sobre o processo
• Inserir pontos de geração de evidencias para auditorias , pela geração de registro durante o uso do documento no processo indicado

O Relatório de Acompanhamento

O relatório entregue no final de cada fase crítica do processo se estrutura de forma a que o operador perceba que em qual tarefa do processo em que esta envolvido, ao mesmo tempo que possui características e necessidades próprias ( fatores críticos de sucesso , métricas , responsáveis , etc. ), faz parte de um contexto maior , e que o seu correto cumprimento garantirá que a tarefa seguinte já foi iniciada em condições apropriadas .


Treinamento dos Envolvidos

O Grupo de usuários envolvidos no processo, foram treinados de forma estruturada, a semelhança de qualquer projeto de desenvolvimento, manutenção ou implantação de sistemas de informação.


Implantado e Monitorando


O processo de implantação se deu a partir de :

• Analise e aprovação por parte da alta direção de TI da metodologia proposta;
• Reuniões com os Lideres de Equipe, de forma a obter o comprometimento necessário;
• Treinamentos para os usuários das metodologias;
• Definição da equipe de suporte a metodologia durante o tempo de implantação.


O período de uso assistido da metodologia foi definido em 12 meses , os quais terminam em agosto de 2008 , durante os quais a equipe que desenvolveu a metodologia será responsável pelo suporte , uso da metodologia , ajustes e melhorias necessárias , bem como divulgação dos Indicadores de Performance (KPI) do processo.

Findo este tempo, um Indicador de Meta (KGI) será definido para o próximo período, e um novo responsável pelo processo indicado.

Como escopo inicial, estão sendo controladas as alterações classificadas como criticas, seja devido ao impacto causado no negócio, quanto ao número total de usuários envolvidos, e dentro de escopo estamos com 100 % de uso da metodologia e geração dos devidos registros.

Após os primeiros 12 meses, o uso da metodologia será estendido para todas as manutenções de sistemas, independente de sua classificação de criticidade.


Conclusão

A utilização do CobiT , alem de ter suportado o desenvolvimento da metodologia , forneceu subsídios para durante o uso deste framework no dia a dia sejam gerados automaticamente os documentos de controle e registro do processo, garantindo tanto o estudo de lições aprendidas quanto o atendimento de evidencias em auditorias.

O CobiT, em apoio as práticas e normas como ITIL, ISO 20000, etc. , vem ampliar e fortalecer o leque de ferramentas a disposição do Gestor de Serviços em sua tarefa de prestar um serviço de qualidade, custo compatível, dentro dos requisitos do negócio, mantendo um ciclo de melhoria continua e garantindo os devidos registros para eventuais auditorias.

Fábio José

Usuário do Portal http://www.isaca.org.br e especialista em Gestão de Serviços de Service Desk e Helpdesk, Certificado em :CobiT Foundations, ITIL Practitioner, ISO 20000 Foundations e ITIL V3 Foundations
e-mail : fabiojpl@ig.com.br








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© Copyright 2010 Fábio José Pereira Lima & ISACA Chapter SP

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