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Exclusão digital de 2º. nível

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O mito e a realidade precisam se separar – e rápido.



Não faz muito tempo li uma matéria no caderno de informática de um jornal de grande circulação onde o repórter, teoricamente um especialista e certamente um formador de opinião, alertava sobre os perigos da utilização da internet por usuários comuns e desavisados. O foco principal eram os keyloggers – expressão e ameaça não conhecida do público em geral.

O que me chamou a atenção veio logo em seguida – a saída sugerida para que o usuário se visse livre (sim, a palavra é livre) de ataques era a de abandonar o sistema operacional instalado na máquina (do bom e velho Uncle Bill) e iniciar vida nova com sistema operacional de código aberto, acessado diretamente do CD. Pela lógica do artigo, se nada é “gravado” no disco rígido o usuário está livre de infecção. Mais adiante se recomendava que o usuário também evitasse internet banking, compras online e páginas com animações flash, vídeos e outros locais “passíveis de ataques”.

Além do aparente tédio virtual em que aquele repórter deve viver, o que incomoda muito é o sentimento de insegurança elevado a níveis irracionais - apenas comparáveis com os de centenas de pessoas que são alvo de ataques diários via email, instant messaging e na própria santa navegação de todo o dia.

Como adepto e motivador do uso extensivo da grande rede em seu potencial máximo, tenho a certeza de que a maturidade virtual só virá depois de muita orientação, suor, lágrimas e algumas infelizes baixas de guerra. Nada diferente do “mundo real”, afinal sempre nos deparamos com figuras privadas de prazeres e da praticidade de uma viagem de avião, um cruzeiro ou até mesmo de dirigir um carro – tudo isso em nome do medo.

Li hoje os dados de uma pesquisa divulgada pelo Movimento Internet Segura (MIS) que apontava pouco menos de 1% de internautas brasileiros como vítimas de crimes virtuais. Gente à beça, não? Faço votos para que nenhum deles tenha desligado permanentemente seu modem, porque se o fizeram acabaram de dar um passo atrás numa corrida onde tem muita gente dando passos apressados para frente.

Mais do que nunca o tecniquês tem que ser deixado de lado. O usuário orientado. Esclarecer que o acesso ao internet banking é exatamente igual a ir à uma ida a agência bancária ou caixa eletrônico. Temos os mesmos benefícios e, infelizmente estamos sujeitos aos mesmos riscos. Mas só pelo fato de não ter que passar pelo martírio da porta giratória e do detector de metais, eu fico no internet banking.

E de resto é o que a família nos martela os ouvidos desde que nos conhecemos por gente – não aceite balas de estranhos, olhe para os dois lados antes de atravessar a rua e, principalmente, não aceite doces de estranhos.

Ricardo Castro, CISA MCSO - ricardocastro.cisa@terra.com.br

Auditor Interno no grupo Hamburg-Süd de Logística e Navegação, profissional com mais de dez anos de experiência nos segmentos de Segurança da Informação e Auditoria de Sistemas.



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